quinta-feira, 13 de abril de 2017

2017 COMEÇA AGITADO NA CULTURA

O ano novo começou com muitas atividades teatrais do Grupo Gota, Pó e Poeira e também no Teatro Fernando Torres. O calor da estação se juntou ao calor das apresentações, mexendo com a programação cultural que envolve os guaçuienses.
Começando o ano, em janeiro, foi apresentado em Vitória o espetáculo “A Absurda Comédia de Duas Vidas”. O público, entre turistas e capixabas, deliciou-se com a história de Mirtes e Ester, duas senhoras solteiras, em busca de um tesouro deixado pelo pai, ou pelo menos sua herança, para que pudessem viver com conforto. A peça tem como pano de fundo as mortes de outras irmãs e da mãe, enquanto as senhoras relembram o grande amor da vida delas, o primo Mariel.
Em fevereiro a população esperou pelo carnaval. O interior, que já  perdeu muito com essa tradição popular, neste ano ainda mais, pois devido a paralisação dos serviços da PM no Espírito Santo, por 21 dias, a insegurança tomou conta de todos e os municípios resolveram não realizar a folia, o que fez com que a população buscasse outras formas de lazer, como viagens para praias aqui por perto ou para cachoeiras do entorno do Caparaó.
De volta ao trabalho, o Teatro Fernando Torres abriu sua temporada com a apresentação da peça “A absurda comédia de duas vidas”, com os atores Edmar da Silva e Ronilson Silva Pires, nos dias 11 e 12 de março, para uma boa plateia, se consideramos a crise que assola o país, e o retorno tímido das atividades após férias, isolamento por falta de segurança e carnaval. O Secretário Municipal de Cultura Leonardo Ridolfi prestigiou o evento de abertura, acompanhado do ex-secretário de Meio Ambiente Wériton Soroldoni.
Esse mesmo espetáculo o Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira” apresentou-se em Salto-SP, no III Festival Nacional de Teatro Carpe Diem, promovido pela STCA Produções. A apresentação aconteceu no dia 18 de março, às 10 horas da manhã, no Auditório Maestro Gaó. Vale a pena lembrar que a cidade de Salto abriga uma das importantes esculturas de Antônio Francisco Moreira, autor de nosso Cristo Redentor, que é a estátua de Nossa Senhora de Monserrat.
E no dia 27 foi comemorado o Dia Mundial do Teatro, também com apresentação do Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira”, com a peça “A estória do homem que vendeu sua alma ao diabo e quase perdeu o seu amor”. A apresentação foi na Praça da Matriz.

E para atualizar todo esse movimento cultural, no final de abril haverá espetáculo infantil no Teatro Fernando Torres, nos dias 25 e 26, sendo  o clássico “Bom dia todas as cores”, com apresentações às 16 horas. Vale a pena conferir!

GUAÇUÍ NA FORMAÇÃO DE PLATEIA

Se é difícil levar o público adulto para o teatro, melhor investir na formação de plateia.

Nesta semana a Cia Baiana de Riso retornou à cidade trazendo o seu conhecido espetáculo “Pretas por ter”, uma comédia debochada que fala sobre o amor. O humor do grupo já conquistou os guaçuienses, tanto que a peça já foi apresentada várias vezes no Teatro Fernando Torres, porém o público vai amadurecendo, os adolescentes de ontem são os jovens de hoje, e muitos agora é que podem ver o trabalho.
As apresentações começaram no dia 12 de abril, em dois horários, de manhã e à tarde, para alunos da Escola Municipal Deocleciano de Oliveira. Cerca de 430 estudantes tiveram aula com Marlene e Altair, personagens icônicas da Companhia que hoje está praticamente sediada no Estado do Rio. E no domingo de Páscoa, dia 15, às 20:30 horas o elenco reapresenta do espetáculo no Fernando Torres, que certamente terá um público garantido, visto o sucesso do mesmo em todo o Brasil.
Aproveitando a estada em Guaçuí, os atores ainda fizeram, na quinta feira, para a Escola Municipal São Geraldo a apresentação do espetáculo infantil “Quem conta um conto”, um misto de contação de histórias, brincadeiras e musical. Lógico que a veia de humor dos atores foi mantida e os alunos embarcaram na história, com muita participação.
Nesta onda de formação de plateia para a continuidade das atividades do Teatro Fernando Torres, quem também buscou esse recurso foram a Escola Anísio Teixeira e o Colégio Israel, ambos assistiram o trabalho do Grupo “Gota, Pó e Poeira”, o Gato de Botas, encenado em comemoração do Dia Mundial do Teatro que foi no dia 27 de março. A apresentação visou ao lançamento do projeto de leitura das respectivas escolas.
Para essas apresentações, o Grupo Gota contou com parte de seu elenco mais antigo: Edmar da Silva, João Batista de Moraes e eu (Carlos Ola), e integrantes do seu Ponto de Cultura dentro do Projeto “Guaçuí Em Cena”, sendo Erich Duarte, Duda Martins, Renan Amorim e Matheus Soares. O clássico agradou e o grupo pretende reapresentá-lo em breve, a exemplo do que fará com “Bom dia todas as cores”,  nos dias 29 e 30 de abril, às 16 horas, em Guaçuí.

Outras linguagens artísticas também estão sendo desenvolvidas no município com a participação de alunos. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente já está bem adiantada com a produção dos curtas ambientais, a serem apresentados na Feira do Verde de Guaçuí. A oficina de roteiro e iniciação começou em março, e os alunos já estão ensaiando para a gravação dos vídeos. Vale lembrar que os filmes das edições anteriores vêm conquistando prêmios em todo o Brasil, sendo inclusive exibidos em várias mostras e festivais.



domingo, 18 de dezembro de 2016

Comédia capixaba faz sucesso em Festival no Piauí



No período de 07 a 11 de dezembro, aconteceu no Piauí o 5º Festival Nacional de Teatro de Floriano – Troféu Teatro Maria Bonita, numa homenagem ao iluminador Assaí Campelo, promovido pelo Grupo Escalet daquela cidade. O evento reuniu espetáculos de 13 estados, entre ele o Espírito Santo, sendo este representado pelo Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira”, com a peça “A absurda comédia de duas vidas”.
O festival, que era realizado a cada dois anos, agora passa a ser anual. É uma iniciativa do Grupo Escândalo Legalizado de Teatro (Escalet), com o apoio da Secretaria Estadual de Cultura do Piauí, por meio do Sistema Estadual de Incentivo à Cultura – Siec. Durante o evento, a organização fez uma homenagem a diversas personalidades do Piauí por sua contribuição à cultura, e ainda lançou uma revista com imagens e texto que representam os 30 anos do Teatro Maria Bonita, na cidade Floriano, divisa com o Estado do Maranhão.
Segundo a organização, o festival recebeu mais de 150 inscrições de todas as regiões do país e de 22 estados. Houve inscrições de todos os gêneros da dramaturgia: infantil, comédia, drama, tragicomédia, improviso, monólogo, teatro de rua, teatro de bonecos, entre outros.
Para um dos coordenadores do evento, César Crispim, outro ponto importante a ser destacado  é a participação de diretores, produtores, atores e técnicos que vieram ao evento representar seus espetáculos. “Foi oportunidade única de celebrarmos o teatro nacional, de projetarmos os grupos participantes e, sobretudo, de aprendermos um pouco mais. O apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual da Cultura, foi muito importante e garantiu a continuidade e qualidade do evento.” 
O representante do Espírito Santo no festival, Carlos Ola – diretor do Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira” – evidencia a importância do evento ao reunir produções de Pontos de Cultura de todo o país, bem como de grupos independentes no fazer teatral. “O Festival de Floriano, em sua diversidade, faz com que analisemos nossas produções, bem como troquemos informações com outros pontos e companhias. Sem dúvida, faz com que estejamos numa rede e com isso estamos sempre atualizados e em crescimento”.
O diretor destaca ainda a forma como o espetáculo “A absurda comédia de duas vidas” foi recebido pelos atores e técnicos do festival, bem como pelo público. “A plateia do festival foi calorosa com o espetáculo, reagiu muito bem à nossa proposta de montagem, com um texto marcado por ironias e pela comunicação imediata dos atores, em ótimas performances”. A comédia é interpretada pelos atores Edmar da Silva e Ronilson Pires, e na técnica estão o diretor Carlos Ola (iluminação) e a sonoplasta Neuza de Souza.
O elenco da peça ainda teve a oportunidade de participar ainda de diversas atividades promovidas pela organização do festival e assistir a bons espetáculos infantis, adultos, de rua e monólogos. Após cada apresentação, de maneira informal, a troca de informações acontecia espontaneamente conhecendo um pouco de cada trabalho e companhia. 
Além da logística da organização do Festival de Floriano, para essa participação no Festival de Teatro de Floriano, o Grupo Gota contou com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES), através do edital nº 01. “O edital favorece aos grupos a participação em eventos importantes como este, tão necessários para o seu aperfeiçoamento e divulgação da cultura capixaba”, agradece o diretor.
Entre os contatos mantidos no Festival, há a possibilidade de novas apresentações, com pré-convites para Teresina e para Goiânia. A peça agora segue para Vitória, ficando em cartaz no Theatro Carlos Gomes, nos dias 13 e 14 de janeiro, e depois vai para Curitiba, com datas e local ainda a serem definidos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

VÁCUO


O vazio cobre meu peito
Ando sem jeito, perdido no espaço...
Queria o abraço do qual me afasto,
O beijo de que rejeito.
Enquanto a chuva fina
Embaraça a cortina do meu quarto
Me farto de silêncio
Procurando  compreender
O que é ter e não possuir
O que é ir para não chegar.
Divagar, devagar, calar...
Esperar brotar o novo dia
Que se fia em empilhar papéis
Para construir uma nova história
Ou quem saber se apenas
Mais um revés.
Oco, vácuo, buraco...
Construo cenas no proscênio
Por ser breve a passagem pelo palco
Onde o drama se instala

Para um novo ato que não aconteceu.

segunda-feira, 14 de março de 2016

DURA REALIDADE DESTE PAÍS

Vivemos num pais desiludido e de desesperados
Corrupção e política se dão as mãos.
Como verdadeiros aliados.
E nas ruas há uma guerra velada entre o bem e o mal.
De um lado a “elite branca”
Apelidada de coxinha
Como se a mesma não fosse
O verdadeiro salgado brasileiro.
De outro, os que se vestem de vermelho
Colocando-se num pedestal
De defensores dos fracos e oprimidos
Ignorando a classe média nacional.
Lava-jatos, petrolão, anos de corrupção...
Com quem está verdade?
Existem só dois lados dessa moeda?
Vestir-se de verde amarelo e ir para ruas está errado
Na suposta versão daqueles que um dia
Se juntaram aos caras-pintadas
Pedindo moralidade para o país.
Mas aquilo que se pediu no passado
Não se aplicado nesse novo reinado
De mito que se diz intocável.
Somos um país miscigenado.
O que se deve querer é um respeito a todos
Dando um basta em tanta podridão
E que se acerte o rumo desta nação
Descontrolada e desgovernada.



                                              Foto de "A roupa nova o imperador"


sábado, 12 de março de 2016

2016 COMEÇA AGITADO NA CULTURA

O ano novo começou com muitas atividades teatrais do Gota e também no Teatro Fernando Torres. O calor da estação se juntou ao calor das apresentações, mexendo com a programação cultural que envolve os guaçuienses.
Começamos o ano, em janeiro, apresentando em Piúma os espetáculos “A roupa nova do imperador”, “A árvore que fugiu do quintal”, “Bumba meu boi” e “A saga amorosa dos amantes Píramo e Tisbe”. O público, entre turistas e nativos, deliciou-se com as histórias e, na primeira rodada do chapéu, uma tradição do teatro de rua, veio o reconhecimento do trabalho, pena que nas apresentações seguintes isso não mais pode ocorrer, visto que o ato de passar o chapéu não foi bem aceito por algumas lideranças daquela cidade, e como obedece quem tem juízo... a cena não mais se repetiu.
Em fevereiro esperamos pelo carnaval. Já que o interior perdeu muito com essa tradição popular, o jeito foi buscar outras possibilidades e nada melhor do que a praia. Metade em  Guaçuí, metade do período em Vila Velha. Lá também não houve carnaval como antigamente, mas olhar a beleza das praias de Itapuã e da Costa enche nossos olhos, e relaxa nossa mente. Mal sabiam os usuários dos locais que no mês seguinte, elas seriam interditadas por não estarem próprias para banho.
Sobre o carnaval, em Guaçuí ou qualquer outra cidade, é preciso reformular. Buscar outra forma para atrair os turistas para essa região. Quer seja em maior segurança, maior atrativo, mais divulgação e maior qualidade. Vai ser preciso reinventar essa festa popular por aqui, a fim de renascer das cinzas. Não será preciso reeditar escolas de samba que já não mais existem, mas talvez investir em blocos, concursos de fantasias, bandas tocando mais cedo nas praças, trazendo de volta as famílias. E pensar num diferencial... mas qual?
De volta ao trabalho, o Teatro Fernando Torres abriu sua temporada com um Sarau Beneficente em prol do Hospital Infantil de Cachoeiro. O jovem Charles Nalim promoveu o evento com rock, MPB, rap e dança. Os artistas deram sua contribuição cultural e artística, pena que o público foi menos que o esperado. Arrecadaram-se poucos pacotes de fraldas, no entanto valeu a intenção do jovem produtor que meio frustrado ainda acredita nos seus sonhos.
E para atualizar todo esse movimento cultural, março chegou e Guaçuí recebeu já dois espetáculos teatrais: A menina cão e A culpa. O primeiro, infanto-juvenil, veio com apoio do Estado e da Prefeitura de Guaçuí, transportando dos livros para o palco as memórias de uma menina, supostamente a autora Lorena Lima. Em quatro apresentações, encantou o público.

Já A Culpa, do ator Luiz Carlos Cardoso, tem algo de visceral e questiona a relação de pai e filho. O texto de Franz Kafka despertou a reflexão dos alunos do ensino médio e pré-enem presentes a uma sessão especial, acontecida no dia 10 de março, antecipando as comemorações do Dia do Teatro. Essa reestréia certamente virou comentário entre esses jovens, fugindo do seu universo digital.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

GUAÇUÍ – A CAPITAL CAPIXABA DAS ARTES CÊNICAS

No período de 16 a 22 de agosto, Guaçuí se tornou a capital capixaba das artes cênicas, quando realizou o 16º Festival Nacional de Teatro, reunindo grupos de cinco estados brasileiros: Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo. Todos com importantes espetáculos que comoveram, causaram reflexão e entretenimento ao público da cidade e região.
A data escolhida para a realização do festival coincide com o aniversário do Grupo Teatral “Gota, Pó e Poeira”, criador e coordenador do evento. E neste ano em que o grupo local completou 32 anos de existência, as suas mostras de teatro procuraram a diversidade entre o contemporâneo e os clássicos da dramaturgia nacional, superando a ausência de recursos do Governo do Estado e contando com o apoio do executivo e do legislativo municipal.
O público se fez presente. Essa é uma das grandes conquistas do festival que conta hoje com espectadores vindos de cidades como Iúna, Muniz Freire, Alegre, Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Varre Sai, entre outros da Região do Caparaó. Porém nota-se um pouco de distanciamento do público guaçuiense. Não que o Festival tenha caído numa rotina, e nem que se tenha falhas na divulgação, mas é um fenômeno que tem ocorrido também em outras apresentações. Os guaçuienses estão mornos nas questões culturais, o que prejudica na vontade de trazer novos eventos na cidade. É uma batalha constante levar público aos eventos, mesmo quando são gratuitos.
Outro aspecto que também chamou atenção no festival foi a questão dos espetáculos adultos numa conotação mais forte. Os espetáculos tinham classificação e em cena estavam textos de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos, que exploram a decadência moral das famílias burguesas e das classes mais miseráveis. É bom que, ao ir ao teatro, o público tenha conhecimento do que vai ver e não esperem apenas comédias leves, situações corriqueiras, como em  novelas e outros programas de televisão. O teatro busca ser um espelho da realidade, que nem sempre todos estão aptos a verem ou querem assistir.
Mas enfim, o festival deixou seu saldo positivo. Movimentou um pouco os hotéis, bares e restaurantes; trouxe pessoas para a cidade;  divulgou de forma positiva o nome do município; e oportunizou ao público a assistir  a excelentes espetáculos tanto adultos, como os de rua e os infantis. Nem sempre se tem esse acesso a obras teatrais com tanta intensidade, principalmente de forma tão econômica. Estudantes de diversas escolas curtiram os espetáculos e com certeza levaram boas recordações para suas vidas.

E num ano de crise que também atinge a cultura, o Festival Nacional de Teatro de Guaçuí superou os obstáculos e a descrença mostrando que é possível fazer arte neste país, e que ele – o festival -  é mais que um evento pontual, pois consegue formar plateia e pensamento, em discussões que abordam o social, o religioso, o econômico, o didático e o puro lazer. Espetáculos como “2 perdidos numa noite suja”, “O noviço”, “Revolta no país dos retalhos”, “A catadora de sonho”, “Brincando de Circo”, “Zoológicos”, “O encontro das águas”, “Perdoa-me por me traíres” apresentam reflexões que vão além de simples gargalhadas ou lágrimas superficiais; trazem a essência da arte como formação crítica do cidadão, sendo essa uma contribuição que não tem preço.